Evolução das espumas de entressola: EVA, TPU, Pebax e supercríticas – o que mudou e por que importa

Infográfico mostrando a evolução das espumas de entressola em tênis de corrida, com EVA, TPU, Pebax e espumas supercríticas destacadas e seus principais benefícios.

Durante muitos anos, a espessura do solado e o design externo de um tênis eram considerados os principais fatores para conforto e desempenho. Porém, nos últimos dez anos, a grande revolução aconteceu dentro do tênis: na entressola. É nela que mora a espuma responsável por amortecer impactos, devolver energia e influenciar diretamente a biomecânica de corrida.

Para entender essa evolução, é necessário olhar para os materiais que fizeram (e ainda fazem) parte da construção dos calçados modernos. Neste guia, explicamos de forma clara como a tecnologia evoluiu, quais são as características de cada material e como essas mudanças impactam o consumidor final.

O que é a entressola e por que ela é tão importante

A entressola é a camada intermediária localizada entre o solado (a parte de borracha que toca o chão) e o cabedal (parte superior do tênis). É nela que ficam as espumas responsáveis por:

  • reduzir impacto
  • absorver vibração
  • devolver energia
  • fornecer estabilidade
  • influenciar a postura da passada

Em grandes marcas — sejam esportivas, casuais ou de performance — o principal diferencial de um modelo geralmente está na entressola, e não na sola ou no cabedal. É ali que a indústria mais investe em inovação.

EVA: a “era clássica” do amortecimento

Por décadas, o EVA (Etileno Acetato de Vinila) foi o padrão do mercado. Do tênis de corrida ao calçado casual, quase tudo era feito com EVA.

Características do EVA:

  • leve
  • barato de produzir
  • fácil de moldar
  • bom amortecimento inicial
  • baixa complexidade técnica

Apesar das vantagens, o EVA tradicional apresenta limitações que motivaram a evolução:

  • perde amortecimento com o uso (fadiga do material)
  • deforma permanentemente após centenas de quilômetros
  • não oferece retorno de energia relevante
  • pouca resistência ao calor

Ainda assim, o EVA não desapareceu. Muitas marcas usam versões modificadas (como EVA injetado ou EVA expandido) para melhorar performance em modelos acessíveis.

TPU: a transição para maior resiliência e durabilidade

A próxima etapa ocorreu com o TPU (Poliuretano Termoplástico), que trouxe maior densidade e elasticidade ao calçado. Ele ficou muito conhecido mundialmente quando apareceu em sistemas encapsulados e em pellets expandidos.

Vantagens do TPU:

  • maior durabilidade
  • menor deformação ao longo do tempo
  • melhor retorno de energia que o EVA
  • comportamento mais estável

Limitações do TPU:

  • é mais pesado que EVA
  • pode reter calor
  • pode ser rígido demais dependendo da formulação

Por essas razões, o TPU foi muito utilizado como uma ponte tecnológica: melhor que o EVA em muitos aspectos, mas ainda com limitações para o corredor que busca leveza extrema.

Pebax e polímeros de alto desempenho: a era da performance

A chegada dos polímeros de alta performance — popularmente conhecidos por meio do Pebax (um nome comercial, não um material único) — mudou o jogo. Esse tipo de material é muito mais leve e resiliente, com propriedades interessantes para corrida de alto nível.

Características do Pebax e similares:

  • baixíssima densidade
  • excelente retorno de energia
  • alta elasticidade
  • boa performance em calor e frio
  • longa durabilidade

Por isso, muitos modelos de performance passaram a combinar Pebax + placa de carbono, criando o que chamamos de “super shoes”.

Aqui a evolução deixou de ser apenas conforto e passou a ser economia de corrida, um termo relacionado a eficiência energética do atleta.

Espumas supercríticas: a consolidação da tecnologia

Nos últimos anos, ouvimos cada vez mais sobre “espumas supercríticas”. Em vez de ser um material específico, o termo se refere ao processo de fabricação, no qual o polímero é expandido em câmaras com gás (como CO₂) em estado supercrítico.

Isso permite criar uma estrutura celular mais homogênea, leve e responsiva.

Principais benefícios observados:

  • menor peso
  • maior retorno de energia
  • menor deformação permanente
  • maior eficiência em treinos longos
  • melhor absorção de impactos
  • menos fadiga muscular percebida

O mais interessante é que hoje diferentes polímeros podem ser processados de forma supercrítica, inclusive TPU e Pebax. Ou seja, o método virou parte central da inovação.

Como essa evolução impactou o corredor

Para o consumidor final, essa evolução material trouxe ganhos reais, especialmente para quem corre com frequência.

Impactos práticos:

  1. mais conforto em treinos longos
  2. mais estabilidade em velocidades mais altas
  3. menos fadiga após 15–20 km
  4. ganho de eficiência em provas
  5. maior durabilidade por quilômetro rodado

A conclusão é simples: hoje o corredor pode escolher tênis que favorecem seu tipo de treino, sua técnica e sua distância preferida.

O que esperar do futuro da entressola

As próximas frentes tecnológicas incluem:

  • materiais híbridos (supercrítico + TPU)
  • entressolas multimateriais segmentadas
  • calibração específica por ritmo e distância
  • impressão 3D para ajuste fino
  • maior acesso a espumas de performance em faixas intermediárias de preço

Ou seja: o que antes era privilégio de elite agora tende a chegar ao consumidor comum.

Conclusão

A tecnologia da entressola evoluiu de forma consistente: do EVA simples ao TPU, do Pebax às espumas supercríticas. Cada etapa corrigiu limitações da anterior, tornando o tênis mais leve, mais eficiente e mais durável.

Para quem corre, isso significa que nunca houve um momento tão interessante para escolher o tênis certo. Se o objetivo é conforto, performance ou longevidade — existe uma espuma adequada para cada cenário.